terça-feira, 10 de novembro de 2009

Volta

Depois de alguns meses de férias este blog volta à ativa, mas ainda resta a dúvida de quais caminhos seguir, do que falar e da importância deste último. As férias foram coletivas - minhas, do blog, da produção textual espontânea. Reflito se a parada reflete uma certa omissão ou um auto-silenciamento. Não encontro respostas. Há apenas a necessidade do retorno, reinício, do resetar-se.

Tudo ainda é muito nebuloso, mas fica a sensação da permanência, do compromisso com o "Coeur vagabond" e com tudo mais que envolve esta volta.

No mais, tudo continua dolorosamente igual há quatros meses: a mesma rotina, o mesmo percurso, trabalho, os mesmos afetos, expectativas. O que aumentaram mesmo foi o número de desafetos e de cabelos brancos.

Depois de escrever estas pequenas linhas sinto que ainda estou no vazio. Mas há muito a percorrer, soprariam nos meus ouvidos.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Geleia geral

por acaso tou lendo Torquatália. Eu conhecia o Torquato por causa das suas parcerias com os baianos e das referências a ele em Verdade Tropical. Grande surpresa ter contato com seus textos, universo. Ainda estou digerindo-o, mas intuo que já entrará para o hall dos meus preferidos.

Pra homenageá-lo, esta composição que o Caetano fez quando foi visitar os pais do Torquato uma semana depois que ele havia morrido. A canção é hiper singela e depois que soube da história passei a amá-la ainda mais.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A força que nunca seca

Voltei de Boa Viagem sozinha de madrugada. Depois de um dia tão duro com tantas pressões refugiei-me em Chico César. Era uma tentativa de afastar o desespero. Acho que funcionou

Vontade de Surubim

Ontem no meio do turbilhão de trabalhos cotidianos senti um vazio, algo como uma espécie de pesar nostálgico do espaço e do tempo agrestino que estão nas minhas melhores memórias. Ali, naquela caatinga à beira do Caiai, vivi os melhores momentos da minha infância. A cidade era minha e a possibilidade de tê-la como uma propriedade deixava-me imensamente segura.

Vivia a correr entre as suas ladeiras, a andar naquelas calçadas singelas e a sonhar escondida no carramachão. Nos altos das goiabeiras pude explorar uma perspectiva obtusa da cidade que me acolhia ante à solidão.

Há, nas minhas lembranças de Surubim, uma melancolia dolorosa que me faz descartar a sisudez habitual e me leva às lágrimas contidas. Ao perceber que a cidade não mora mais em mim, sempre que volto lá, sinto-me renovada e triste.

Aqueles cheiros pueris, as cores do casario, que já não existem mais, os sons clericais estão latentes como nunca. A onipresença da caatinga perpetuou eternamente a minha vida e hoje esta paisagem está entranhada em mim.

Existencialmente, a generosidade do tempo agrestino foi fundamental pra definir quem eu sou.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Abaixo aos amores burocráticos

Tá, eu não sou nenhuma Carrie Bradshaw, mas há três coisas que, confesso, gosto de falar: sexo, relação e vida alheia. E foi pensando nesta tríade que decidi escrever um pouco sobre amores burocráticos e o quanto eles são nocivos.

Amores burocráticos são aqueles em que a presença do outro é imposta e que o assujeitamento é tão latente que em todos os momentos a dois você sente a repressão e o não-afeto, ou seja, em vez de conquistar delicadamente seu espaço, o pseudo-parceiro coloniza-o, trazendo com isso tudo o que há de pior. Para tanto, sutilmente, ele impõe a sua presença durante todo o seu final de semana. Quando estão juntos, nas horas em que você conversa coisas amenas, ele tenta persuadi-la a achar, por exemplo, que o tucanato paulista é uma coisa maravilhosa. Enfim, eles são reacionários, óbvios e medíocres.

Amores burocráticos cobram ligações telefônicas diárias e satisfações de como foi o seu dia – do momento em que vc abriu os olhos até o do fatídico encontro. Essa pretensão de saber do outro respalda a insegurança e a não-compreensão do desejo alheio que em muitos momentos não apontam para ele.

Amores burocráticos passam a oprimir seus sonhos e desejos futuros pq exigem estar neles. Outro exemplo, nas primeiras semanas de namoro eles incluem-se em seus planos de viagem que ocorrerão daqui a três meses. Pra eles não existe individualidade. Ao contrário, vivem eternamente desrespeitando-a.

Amores burocráticos não têm pegada e nem despertam tesão porque tudo na relação que eles propõem soa falso, forjado. Eles não se liberam das amarras das convenções e fazem delas sua armadura, tentando defender-se da possibilidade de ser algo que não é superficial.

Amores burocráticos preocupam-se com convenções, status, para poder dar satisfação ao ego e aos olhares alheios. Eles querem mostrar ao mundo que cumpre as normas pequenas burguesas de namorar, casar, ter filhos e constituir família.

Amores burocráticos são anacrônicos, não conseguem acompanhar as mudanças de perspectivas, não entendem as novas ideias. No campo emocional, tudo o que foge do plano da segurança, tudo que cheira ao risco lhes soa indigesto.

Amores burocráticos são anêmicos e glutões. Não exploram novos ambientes. Gosto de lugares caretas e conversam sobre coisas caretas. Se alimentam da tradição e não oxigenam suas vidas com o contemporâneo, novamente, com o novo. Preferem um prato cheio aos sabores diminutos da pequena poesia cotidiana.

Amores burocráticos são carentes e isto deve-se ao fato deles perceberem-se indesejáveis no sentido mais sexual do termo. Nada neles sugere o afeto, a conquista.

Amores burocráticos são feios e vestem-se horrorosamente. Aqui também eles não ousam. Preferem vestir-se com algo que o filie a qualquer bobagem a ter que mostrar seus posicionamentos, suas convicções.

Amores burocráticos são grosseiros e mal-educados, pois não compreendem a pequena ética do afeto, da compreensão e da liberdade. Na tentativa de justificarem-se, eles evocam uma história familiar triste, um trauma antigo, mas eles esquecem que o afeto é o lugar da leveza, da plenitude e não o espaço escape da frustração.

Depois de tantas tentativas de definir os amores burocráticos, cabe-nos dizer, ou melhor, repetir, que eles são burocráticos porque seguem as regras, os padrões alheios e as convenções amorosas. Contraproducentemente, eles despertam no outro sentimentos que vão do desprezo ao asco.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

voltando pro começo

É redundante e já falei disso outras vezes aqui, mas conhecer João Gilberto foi definitivo pra mim. Meu conhecimento e minha sensibilidade musical foram profundamente modificados com a descoberta do repertório e do modo de cantar de João.

Esta música que tou postando hoje é do Dorival Caymmi. Não sei por quê, mas tem alguma verdade nela.


sexta-feira, 17 de julho de 2009

Eu não quero ser José Mindlin

Querida Ju,

acho que precisamos fundar logo aquela grupo que havíamos pensado em criar quando estávamos em terras fluminenses. Você acredita que desde que cheguei já acrescentei mais dois objetos de desejo a minha prateleira branca? Confesso que um deles foi o "Prenez soin de vous".

Mas amiga, o que será que nos move a esse desejo compulsivo de adquirir aqueles retângulos de folhas? De onde vem tanta devoção a um ser que é tão egoísta, tão instável e cheio de verdades insurportáveis?

Você se lembra quantas vezes, ao longo de nossas vidas, ele nos pediu mais atenção e, submissamente, deixamos tudo para dedicar-lhe algumas horas? Quantas vezes economizamos, apertamos o orçamento, cortamos surpéfluos - comer, por exemplo, e aplicamos e gastamos tudo com ele?

É, mas parece que ele não reconhece o impacto que causa às nossas vidas. Será que ele já pensou nas mudanças que nos trazem? Acho que não. Como diz minha vó: "ele é tão dono de si". Por isso, precisamos organizar a confraria para tentar estelecer e construir uma relação saudável com ele. Curadas, a racionalidade reinará.

"Só por hoje, não comprei um livro". (MENTIRA)


* Em breve o estatuto e os primeiros passos do provisório MALDA (Mulheres que Amam Livros Demais Anônimas).

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Tietagem singela

O burburinho descabido, a movimentação intensa, os olhares superdimensionados e unidirecionais. No meio de tudo aquilo, entrei pelo lado esquerdo. Meio desajeitada aproximei-me. O contato com o autor que respeito infinitamente se deu assim de forma prasaica e quase imaginária. Trocamos algumas palavras. Chamei-o de sr. Falei algo sobre admiração. Conversamos sobre conhecidos em comum. Tudo como um flash. Ele se mostrou doce, amável e sincero.

Naquele momento, apesar de cultivar uma paixão adolescente por Chico, que estava há um metro de distância na mesma mesa, Milton Hatoum era maior pra mim. Seus livros, ou melhor, sua escrita me atraia mais. Hoje tenho aqui na prateleira um exemplar de Cidade Ilhada autografado, mas que bobagem!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Confissão pós-férias

...voltar à vida real é um pouco complicoso. Sobrevive impiedosamente o estranhamento. Fico com a sensação de descompaço. Tenho muito a dizer, mas o que me sai são apenas sílabas imaturas que juntas não formam coisas alguma, apontam para o nada. Por isso, ainda não estive aqui para relatar viagens ocorridas, experiências sensoriais, afetivas e, acima de tudo, emocionais.

Preciso administrar-me. Antes disso permaneço tentando compreender Leite Derramado e a escrita buarqueana. Simultaneamente, recordo de Paraty, da Flip,...


quinta-feira, 2 de julho de 2009

paraty

tou na FLIP em Paraty. Tudo aqui me soa demasiadamente singelo. Há aqui um misto de badalação e paixão por literatura.

Volto na próxima semana com detalhes da odisséia portenha e das histórias na cidade fluminense.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

férias

este blog está temporariamente fora do ar. a autora dele está de férias na argentina, mas como ela é workholic aproveitou para apresentar-se num congresso de cinema. ou será que foi o contrário?

vou indo que aqui tá um frio da porra.

domingo, 7 de junho de 2009

Zii e zie: brincando de reinventar-se duplamente

Esse blog tá mudando de vibe a partir de hoje. Assim como estou entrando em uma nova fase da minha vida, ele também entrará em outra época. Sem impressionismo, sem personalismo e sem parcialidade - tá eu não acredito que o ato de escrever escape desses pressupostos, mas vamos tentar.

Aqui, só falaremos de música, artes visuais - incluindo cinemma e fotografia, literatura e, sobretudo, proto-filosofia. Tentarei elaborar mais o nível dos posts e despir-me de mim.

Pra começar falaremos de Caetano, que é o patrono-mor deste espaço. Esse baiano surpreende-me a cada CD lançado. O tios e tias (Zii e Zie) é um bom exemplo da força inventiva deste senhor que vive entre tapas e beijos com a crítica. Acho que esta relação tempestiva com a crítica deve-se ao fato dele arriscar-se mais que os artistas da sua geração e isso causa um certo desconforto na expectativa dos jornalistas. A imprevisibilidade é sempre desconfortável.

Mas o tropicalista em busca do novo e fugindo da repetição e dos enquadramentos, flerta com o rock, com a canção latinoamericana, inglesa, americana, encontra-se com o pop, reconstrói as suas melodias, incorpora sons contemporêneos, alimenta-se da tradição e neste mix de fases e experimentações nascem músicas que mesmo que se assemelhem a algo já produzido, trazem algo de novo, inusitado.

No caso de Zii e Zie, a produção do cd ocorre de forma contrária. As músicas do CD eram produzida durante a temporada de Obra em progresso, ou seja, o show serviu de suporte para a criação e essa possibilidade de elaboração com um pseudo contato com o publico é de certa forma interessante.

Exemplo de como ele pode ser inventivo nas letras

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Here comes the sun

essa música é tão bonitinha. tenho ouvido tanto ela nos últimos dias. a versão que tou escutando é a de james taylor e está num cd que little darling me deu.


terça-feira, 26 de maio de 2009

atualizações



Roubei a foto no blog de Marcelo Rubens Paiva. Poesia urbana, tão simples e fundamental. Metafisicamente direta.

Tou tentando ver como mudo a direção do blog. Mudo.

Quinta-feira é o grande dia.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Diário

Hoje foi um daqueles dias que entrarão para a história. Ocorreram coisas boas e coisas imprevisíveis que, neste caso, não considero boas.

1 º Depois de quase dois meses de atraso, muito stresse, angústia e inseguranças, depositei a minha dissertação. Agora é esperar a banca e entregar a Deus. Estou aliviada, mas não por completo. Ainda sinto e vivo sob o peso das aflições acadêmicas. Ao mesmo tempo, existe uma sensação de vazio e uma vontade louca de continuar no esquema de estudos e pressão. Bizarro demais. (Ainda volto a falar sobre este momento)

2º Tenho que registrar aqui a minha incapacidade de lidar com o imprevisto. Hoje mais uma vez pude constatar esta minha inabilidade. Ao tentar imprimir as quatro cópias da minha dissertação, a tinta da impressora não prestou, o papel era fino demais, o tempo corria contra mim, enfim, caos total. Depois de ter uma quase síncope nervosa, tudo foi resolvido. Mas ainda tive que viver a experiência de perder o controle do carro num viaduto e quase bater em um carrão em plena chuva. Foi batida pequena, mas o susto foi inversamente proporcional.

Como nem tudo são espinhos, paralelamente, tem coisa legal acontecendo na minha vida. Ainda bem.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Vanessa da Mata: regular

Apesar das controvérsias, gosto muito de discos gravados ao vivo. A princípio, há neles uma pulsação do público, uma quase tensão do cantor para não desafinar, uma acústica diferente. Nestas produções eu gosto do imprevisto, do grito da plateia, de uma fala desconexa do artista. De tudo que foge do controle.

Quando quero conhecer um cantor procuro ouvir suas gravações ao vivo, pois sempre acreditei que o contato direto com o público possibilitaria uma energia melhor à música e tal. Sim, tem também o fato de que as produções neste estilo sempre tentam fazer um panorama das melhores músicas e tal.

Enfim, falei tudo isso, pra dizer que ao ouvir o disco ao vivo da Vanessa da Mata a sensação que tive foi justamente ao contrário. Incomodei-me demais com o resultado final. A voz dela, que é tão agradável, ficou completamente minimizada, perdeu seu potencial vocal, uma coisa meio constrangedora mesmo. Os arranjos também não me soaram legais. Lamentável.

Conheci a cantora há uns cinco anos e gostei bastante. Hoje não a escuto mais. Mas confesso que suas canções românticas como "Ainda bem", "Ai, ai, ai" e "Não me deixe só" são ótimas para embalar corações apaixonados. E pensar que eu já cantei "Não me deixe só", que bizarro.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O Dia em que faremos contato

Estou um pouco ausente de tudo. Vivendo um momento meio concha.

Lenine é um cara que admiro demais. Aprendi a gostar dele há pouco tempo, na realidade, foi na época da faculdade de jornalismo. Sempre que posso, vou ao seu show. Esta semana foi que comecei a ouvir Labiata. Depois falo das minhas impressões sobre o CD.

E Martelo Bigorna é a minha música. rsrs


segunda-feira, 13 de abril de 2009

"Justice" no banlieue

cultura urbana
periferia
violência
opressão
juventude
exclusão
contemporaneidade
sujeitos diaspóricos
multiculturalismo
minoriais

eu gosto deste vídeo pq ele me remete a uma Paris bem distante dos cartões postais. A uma cidade real e não aquele espaço todo perfeitinho com grandes monumentos, lindas lojas, pessoas elegantes e avenidas arborizadas. Lembro demais do filme La Haine ( O ódio).

O vídeo foi dirigido por Romain Gavras, filho de Costa Gavras, que por sinal estará aqui no Recife. Só por esta produção já dá pra gostar da proposta do Justice. Na época do seu lançamento causou bastante polêmica, foi acusado de várias coisas e boicotado pelas TVs.

Acusam-no de violência gratuita, mas ela existe.